sexta-feira, 7 de março de 2014

Dinossauro português do Jurássico foi o maior predador terrestre da Europa


                                       
"Ossos com 150 milhões de anos classificados como nova espécie de dinossauro carnívoro. Através deles, uma equipa em Portugal viajou no tempo, até à altura em que o Atlântico Norte ainda estava a formar-se."

 "A descoberta do Torvosaurus gurneyi reforça a posição de Portugal como "um dos países com mais espécies de dinossauros por quilómetro quadrado", em muitos casos "espécies únicas". O trabalho, liderado por Octávio Mateus e Christophe Hendrickx, paleontólogos da Universidade Nova de Lisboa (UNL), começou há 15 anos."

"Eis o maior predador conhecido que pisou terra firme na Europa: um dinossauro carnívoro que, há 150 milhões de anos, se passeava pelo território que actualmente é Portugal. Tinha mais de dez metros de comprimento, pesava quatro a cinco toneladas e os dentes bem afiados, em forma de lâmina, dificilmente deixariam as presas indiferentes, ou, pior, incólumes após as suas investidas."

 
Dinossauro Torvosaurus Gurneyi no seu ambiente. Desenho: Sergey Krasovskiy
Torvosaurus gurneyi no seu ambiente.
Desenho: Sergey Krasovskiy

 "Até ao momento, conhecia-se uma só espécie de Torvossauro: o Torvosaurus tanneri, também com 150 milhões de anos. Encontrado em 1972 nos Estados Unidos e descrito em 1979, durante muito tempo era o único Torvossauro conhecido — até que, em 2000, foi revelada a descoberta de uma tíbia em Portugal."
  
 “Não houve predador terrestre maior do que este no Jurássico”, refere Octávio Mateus. No mar, é possível que tenha havido ictiossauros maiores, acrescenta, mas em terra firme os Torvossauros, tanto o da América do Norte como o da Europa, não tinham outros predadores à altura. Reinavam no topo da cadeia alimentar. “Era um predador activo que caçava outros grandes dinossauros, como evidenciam os dentes em forma de lâmina”, frisa ainda Christophe Hendrickx.
Olhando para outros tempos, os Torvossauros nem foram os maiores dinossauros de sempre. Todos carnívoros, o Tyrannosaurus rex (com 12 metros, na América do Norte), o Carcharodontosaurus (12 metros também, na África do Norte) e o Giganotosaurus (com 15 metros, na Argentina) suplantaram-nos. Viveram num período posterior, já no Cretácico.

- Que importância tem haver dois Torvossauros, com a mesma idade, em dois continentes, que se afastavam e pelo meio ia nascendo o Atlântico Norte?
 “Quer dizer que a Europa e a América do Norte tinham de estar separadas há tempo suficiente para o Torvossaurus evoluir em duas espécies diferentes de um lado e do outro do Atlântico”, responde Octávio Mateus. “Dantes, a perspectiva era que havia a mesma espécie em dois continentes, portanto tinha de haver pontes de terra no Jurássico Superior. Nós dizemos que as pontes de terra são mais antigas do que se pensava, possivelmente uns dez milhões de anos.”
Essas ligações entre a Europa e a América do Norte terão então desaparecido há uns 160 milhões de anos, tornando o Atlântico intransponível para os animais terrestres. Esta é pois uma história real, contada pelos Torvossauros e os seus ossos.
 
 http://www.publico.pt/ciencia/noticia/dinossauro-portugues-dos-tempos-jurassicos-foi-o-maior-predador-terrestre-da-europa-1627173#/0


"As diferenças anatómicas e a existência de duas espécies distintas indicam que houve um ancestral comum que atravessou o proto Atlântico, ou seja, a ponte terra, que sabíamos que existia no Jurássico Superior, afinal é mais antiga do que aquela que pensávamos", afirmou o cientista.
O novo dinossauro, um carnívoro, terópode, bípede, que tinha um crânio de 115 centímetros e chegava a medir 10 metros de comprimento e a pesar cerca de cinco toneladas, foi o maior predador do Jurássico Superior.
Apesar de ser primo, e igualmente um grande predador, o 'Tyrannosaurus rex' viveu 80 milhões de anos depois, já no período conhecido por Cretáceo Superior.

http://www.jn.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Lisboa&Concelho=Lourinh%EF%BF%BD&Option=Interior&content_id=3721501&page=2

 
 "O nome científico escolhido para a nomear — Torvosaurus gurneyi — é uma homenagem ao ilustrador norte-americano James Gurney, criador da série de livros Dinotopia. Neste mundo utópico, dinossauros e humanos vivem felizes lado a lado numa ilha, ainda que isso seja uma impossibilidade histórica, devido à separação por muito tempo entre a extinção dos dinossauros (há 65 milhões de anos) e o aparecimento dos primeiros humanos (há cerca de dois milhões de anos). Mas isso é o que menos interessa numa história de ficção. “Sempre admirei a reconstrução deste mundo utópico, onde dinossauros e humanos vivem juntos”, diz, num comunicado, Christophe Hendrickx, de quem partiu a ideia a homenagem a Gurney."




 

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